Um monge entre nós

Out 7, 2019 - 15:39
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Um monge entre nós
Um monge entre nós

De criança e jovem tímido, gago e sem estudos, até se tornar monge e padre de fala serena e contundente. Conheça a história de Pedro Miguel, um monge atuante na Catedral Diocesana Nossa Senhora das Dores de Guaxupé. Uma trajetória de profunda perseverança e vitória! Vale a pena. Leia a entrevista na íntegra realizada pelo nosso articulista Rodrigo Fernando Ribeiro.rn

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1-Padre Pedro, é sabido que o sacerdócio não é visto como profissão, e sim um chamado de Deus. Quando e onde foi que o senhor se sentiu tocado por Deus, compreendendo tal ternura divina como um chamado? E de que modo o senhor vem compreendendo e vivendo essa sua vocação para a vida religiosa?rn

RESPOSTA: Quando fui chamado por Deus eu tinha uns 08 anos de idade. Mas meu pai me dizia que não tinha dinheiro para comprar as roupas e os materiais que precisava levar. O chamado ficou então adormecido por um bom tempo,até os meus 18 anos quando, de novo, senti muito forte esse convite de Deus. Porém, eu não sabia ler e ainda por cima era gago... Era difícil, quase que impossível para mim.Aos 26 para 27 eu decidi enfrentar os obstáculos e ir, seguir em frente. No entanto, tinha outro problema: eu não tinha estudo. O que fazer? Fui falar com uma professora e ela procurou me ajudar, me dando os livros para eu estudar em casa. Já pensou na dificuldade? Quando eu estava com quase 30anos, fui para um seminário dos Teatinos, para ser irmão leigo consagrado, pois sem estudos e já velho não era possível ser padre. Eles pensavam que eu não daria conta, diziam que eunão tinha base, que eu era um bugre.Eu pensava em desistir... Fiquei nesse seminário por dois anos. Resolvi ir embora. Eu queria ser padre! Fui atrás dos estudos. Me mudei para São Paulo. Lá trabalhei. Entrei na Volkswagen em 1980. Trabalhava e fazia supletivo. Assim fiz todos os estudos, e eu disse a mim mesmo: Agora eu tenho o segundo grau. Posso ser padre! Outro problema: a idade. Eu estava com quase 40 anos. O desejo de ser padre era forte. Pensei: Já que não posso ser padre, vou ser irmão consagrado mesmo. Fico perto de Jesus.Pedi para ser monge, e fui aceito. Não parei. Ao contrário, lutei para continuar os estudos, apesar de me dizerem que eu já era velho e que não conseguiria. Eu sabia que Deus quando começa uma obra Ele vai até o fim. Foi então que dei início no propedêutico. Sofri um pouco por falta de base nos estudos, mas consegui as notas. Depois fiz filosofia. Na sequência, Teologia. Por fim, o TCC.Eu consegui terminar e passei a estar pronto para ser ordenado padre. Fui ordenado aos 43 anos. A minha gagueira desapareceu. E aqui estou.rn

Minha vida religiosa foi muito boa; foi onde Deus me modelou para estar com o povo.rn

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2-O senhor é monge. Na visão leiga, o monge é aquele que passa a maior parte do tempo levando uma vida de trabalho, oração e contemplação; no entanto, de certo modo, distante da vida em sociedade, isto é, dentro dos mosteiros, numa forma de vida isolada. É assim mesmo que vivem os monges? Todo monge é um padre? E como está sendo sua experiência fora do mosteiro, ou seja, sua atividade de sacerdote numa Catedral Diocesana?rn

RESPOSTA: No mosteiro nem todos os monges são padres; tem monge que simplesmente quer ser monge, só trabalha e reza, fazendo as orações sete vezes por dia, os salmos.rn

Minha experiência fora do mosteiro está sendo muito boa mesmo! Estou vendo o porquê Deus me chamou e continua me chamando a trabalhar com Ele.rn

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3-Sabemos da poderosa influência dos pais e da família na formação da personalidade de uma pessoa. Quais as características de seus pais e familiares se tornaram decisivas para a sua vida de padre?rn

RESPOSTA: Olha, meus pais me davam muita força. Na verdade, no início recebi isso mais de minha mãe. Meu pai dizia que eu não ia conseguir por causa da idade. Depois ele mudou e passou a dar forças.rn

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4-Basta ler com atenção a história de Jesus de Nazaré pra podermos compreender a importância da Família no Projeto de Deus. A coragem e a obediência de Maria e José foram decisivos para preservarem a vida do menino Jesus. Recentemente, o atual sucessor do apóstolo Pedro, o Papa Francisco, escreveu um documento belíssimo sobre o amor na família, AmorisLaetitia. Padre Pedro, o senhor vê com entusiasmo ou desesperança o quem vem ocorrendo com a família nos últimos tempos?rn

RESPOSTA: O Papa Francisco está colocando tudo para que a família não seja destruída. Eu olho para a família com esperança. As coisas acontecem como Deus quer. Nós devemos confiar na Providência. Deus abençoe!rn

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5-O Catecismo da Igreja Católica, no seu parágrafo de número 429, afirma que "é do conhecimento amoroso de Cristo que jorra o desejo de anunciá-Lo."  Padre, muita gente até deseja ter esse encontro pessoal com Jesus, mas não sabe ao certo como e onde fazer. O que o senhor orienta padre?rn

RESPOSTA: O encontro com Cristo é como encontrar um tesouro entende? É um encontro muito pessoal. Por isso, um pouco difícil de ensinar. Mas existem sim as orientações, a direção espiritual: a oração pessoal, a comunhão diária.rn

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6-Maria, Mãe do Senhor, por isso carinhosamente e coerentemente chamada de Senhora, aquela que, como canta o Padre Zezinho, "fez o Cristo falar, fez Jesus caminhar", é admirada, respeitada, amada e venerada por todos os povos e nações. Ela sempre aponta para o seu Filho, o Mestre e Salvador, pois é Ele o Caminho, Ele é a Luz do mundo. Assim ensina a tradição cristã. De que modo, Padre Pedro, o jeito de Maria de Nazaré pode colaborar com um dos desejos de pacificação da humanidade tão sonhado por Jesus Cristo (Mateus 5, 9)?rn

RESPOSTA: Maria colabora com seus filhos, levando-os todos a Jesus. Maria foi a primeira missionária a levar Jesus. Levou primeiro até sua prima Izabel. Depois, com o nascimento do Senhor,apresentou o Salvador ao mundo.rn

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7-São José é exemplo de trabalho, proteção e paternidade. Junto de Maria, educou o menino Jesus. Assim como Maria e Jesus, José também é modelo de obediência, fé e esperança. Sua força e coragem foram decisivas para proteger Maria e o Salvador que nascia. De que maneira, Padre Pedro, São José pode comover e convencer os pais de nossos dias a se comprometeram mais com a Família?rn

RESPOSTA: Olha... Isso é comprovado,pois os pais de hoje precisam não se contentar em dar, quando podem, somente aquilo que os filhos pedem, mas essencialmente aquilo que os filhos precisam, que é Deus. Ensinar que neste mundo tudo é passageiro. Só Deus permanece. Infelizmente vejo pouco interesse na busca pelas realidades espirituais, eternas.

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