Solenidades marcarão o centenário de nascimento do Dr. Benevides Leonel dos Santos

Out 31, 2022 - 09:09
 0  1.7mil
Solenidades marcarão o centenário de nascimento do Dr. Benevides Leonel dos Santos
Solenidades marcarão o centenário de nascimento do Dr. Benevides Leonel dos Santos

Na próxima terça-feira, 1º de novembro, data em que a Igreja Católica Apostólica Romana comemora o Dia de Todos os Santos, os descendentes do saudoso Dr. Benevides Leonel dos Santos estarão comemorando o centenário de seu nascimento, portanto, se vivo estivesse, ele estaria completando 100 anos de idade.rn

A efeméride também será solenizada durante a realização da 18ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Guaxupé, que acontecerá em 7 de novembro próximo, às  19h.rn

Dr. Benevides era dentista, estabelecido com consultório na Rua Padre João José, no centro da cidade de Guaxupé.rn

Além de um profissional de mérito, ele foi um homem que viveu para a caridade e pelo amor ao próximo. Vicentino que foi, viveu de braços abertos e estendidos para abençoar, para acolher, para ajudar, e para amparar, principalmente os desassistidos de todas as sortes, com uma modéstia de homem justo e com a sinceridade de quem só entendia a vida no amor de Deus e do próximo.rn

História de vidarn

Dr. Benevides Leonel dos Santos nasceu em 1º de novembro de 1922, no Arraial dos Franciscos, povoação esta que a partir de 1948 se tornou o município independente de Capitólio. Pelo fato dele ter nascido no “Dia de Todos os Santos”, teve seu nome acrescido de “dos Santos”. Era filho dos também saudosos, Antônio Leonel Ferreira e Dona Similiana de Oliveira. Ele teve dois irmãos do sexo masculino, porém um deles faleceu ainda muito jovem, e quatro irmãs; atualmente três delas já se encontram falecidas, porém, para felicidade nossa, ainda temos em nosso convívio, na cidade de Piumhi, MG, a Senhora Ilma Alves de Oliveira.rn

Assim como seus maiores, teve sua infância na zona rural, ajudando na labuta diária. Posteriormente ingressou na Faculdade de Odontologia e Farmácia de Alfenas. Tempos difíceis aqueles em que o deslocamento entre Piumhi e Alfenas era feito a cavalo. Em virtude da difícil jornada entre a moradia de seus pais e a cidade de Alfenas, nas férias escolares de julho, que na época era de um curto período, ele permanecia em Alfenas, trabalhando em pequenas propriedades rurais colaborando na ordenha do gado leiteiro.rn

Ainda como acadêmico ele já se mostrava um argumentador de fatos e muito seguro dos temas que abordava com precisão e elegância de linguagem e graças a estas qualidades conquistou a amizade do então deputado estadual, Manoel Taveira de Souza, o qual lhe confiava as chaves de sua residência, em Alfenas, para que cuidasse da mesma, o que lhe rendia também alguns recursos financeiros.rn

Depois de concluir o curso de odontólogo, retornou a sua terra natal, instalando seu consultório. Algum tempo após se casou com Maria Margarida Soares, a tão popular e conhecida “Lia do Waldemar da Mata”, sua prima de segundo grau. Desta união resultaram sete filhos: Adelmo, Fernando, gêmeo de Antônio (este já falecido); Ângela, Angelita, André e Alaor.rn

Em 1952 ele já se encontrava residindo e com consultório na cidade de Piumhi, onde conquistou um grande círculo de amizades. Naquela época ele já era um vicentino fervoroso, colaborando nas obras assistenciais.rn

Naquela cidade atuou como presidente de uma das sessões eleitorais, oportunidade em que se apresentava de terno, para desempenho da função que lhe havia sido confiada.rn

Sempre muito acolhedor, em seu lar acolheu diversos sobrinhos, primos e cunhados para períodos escolares.rn

Religioso e de uma fé inabalável, foi amicíssimo do Padre Alberico, quando este dedicava assistência religiosa em Piumhi.rn

No período em que a casa paroquial daquela cidade passou por reformas, acolheu em sua residência os sacerdotes.rn

Em meados de 1963 transferiu-se para Guaxupé, cidade que tinha condições de proporcionar  melhores condições escolares a seus filhos. Inicialmente instalou seu consultório na Rua Capitão João Machado, no centro. Foi um período difícil, até mesmo pelo fato dele ainda não ser conhecido, porém com muito profissionalismo e fé conquistou uma grande clientela que sempre o respeitou e admirou.rn

Repartiu entre as famílias guaxupeanas a sua melhor afeição e respeito, e em todas deixou impressiva amizade, enormizada ao longo dos anos, e pelo carinho que a todos dispensou e pelos préstimos com que a serviu.rn

Homem de excelente formação religiosa, imprimiu no seu consultório os princípios de sua fé, orientando a sua vida por um ideal de trabalho de que jamais se apartou, assim nunca cobrava pelo tratamento odontológico dos padres, assim como seus primeiros rendimentos foram destinados aos pobres.rn

Com muito trabalho e dedicação, conseguiu criar seus filhos, dando a todos uma educação exemplar e profissões dignas.rn

 Depois de uma vida coroada de êxito, aos 87 anos de idade, ele faleceu em Guaxupé no dia 12 de abril de 2010.rn

Um justo reconhecimentorn

O júbilo com que se celebra o centenário de nascimento do Dr. Benevides justifica-se no tempo e no espaço, como um legítimo reconhecimento de uma vida destinada ao bem, à família, aos seus clientes e, principalmente, aos pobres e desassistidos de todas as sortes.rn

Homem do lar, alongou uma tradição de honradez e de piedade cristã, que é o solário de sua família e, assim, soube dar aos seus aquela doçura do diálogo manso e bom em que as vozes ressoam do coração marcando atitudes amplas de bondade, de amor, e de compreensão.rn

A nota dominadora dele foi a sua capacidade de doação. A sua casa sempre foi aberta e acolhedora, principalmente para os modestos e humildes.rn

De Dr. Benevides se pode dizer que ele foi um homem que comeu o pão repartido em dois pedaços, pois levava aos necessitados o que tinha e o que podia, porém sem alardes, mas com aquela convicção de que só o bem enaltece o homem.rn

Como vicentino que era, aos casebres que ia, aos pobres que amparava, as crianças que acariciava, sempre levou uma palavra boa, e era digno de se ver os cuidados que ele dispensava aos doentes e aos desamparados.rn

Quantas vezes ele sobrepôs aos seus interesses as aspirações dos amigos e dos desassistidos de todas as sortes; e quantas outras, fez suas as aflições dos que lhe procuravam o conselho e a ajuda.rn

Como católico romano foi um súdito de uma piedade inabalável e de uma fé viva e ardente, razão de ser de sua própria vida.rn

Com a sua morte, perderam os pobres da cidade um verdadeiro pai; um pai extremoso e bom que a todos sempre teve uma palavra de carinho, de bondade, e de esperança; perdeu a sociedade local uma amigo justo, sereno, e delicado que jamais deixou de nos assistir em todas horas, não só nos apontando os caminhos claros e abertos da vida como nos ensinando a sermos úteis à sociedade, a pátria e à família; perderam as conferências vicentinas um integrante que sempre atuou com entusiasmo e com o brilho de sua capacidade de homem prudente, inteligente, e que a todos procurou servir sem reservas.rn

Hoje ele descansa em paz, como o bravo lutador após a refrega, porém a sua memória está eternizada no coração de todos, reverenciada e cultivada com respeito e carinho.rn

O que ele fez, o que ele conseguiu através do seu trabalho perseverante, o que ele estimou exercitando o seu sentimento, enfim todas as suas obras em que empregou estoicamente cérebro e coração, avultam  maiores agora no decorrer dos tempos.rn

 rn

Maria Luiza Lemos Brasileiro com colaboração de Fernando Soares Leonel

Qual sua reação?

Gostei Gostei 0
Não Gostei Não Gostei 0
Amei Amei 0
Engraçado Engraçado 0
Raiva Raiva 0
Triste Triste 0
Uau Uau 0