Mãe de Guilherme relata dor e busca por respostas em Santa Catarina
A mineira Elizabete Macedo, mãe de seis filhos — dois meninos e quatro meninas — viajou na sexta-feira (2) até São José, na Grande Florianópolis, acompanhada do filho mais velho, da nora e do esposo, em busca de informações sobre o desaparecimento de Guilherme (20 anos), um dos jovens encontrados mortos em Biguaçu (SC).rn
Em entrevista, Elizabete afirmou que não pretende retornar à cidade. “Cidade linda, mas muito cruel”, desabafou. A família conseguiu recolher os pertences de Guilherme, Daniel e Pedro, enquanto os objetos de Bruno serão buscados por seus familiares. Apesar da dor, a mãe disse sentir alívio por poder levar o filho de volta para casa. “Ele vai descansar em paz”, declarou emocionada.rn
Segundo ela, Guilherme era trabalhador, amoroso e aventureiro. Estava abalado pela morte do avô há poucos meses, mas mantinha o desejo de viver. “Não sei o que aconteceu, não sei se o Gui se envolveu em alguma coisa aqui. Só sei que meu Gui era um bom filho”, afirmou.rn
Elizabete relatou manter contato mais próximo com a família de Pedro, outro jovem vítima do crime. Ela também questiona pontos ainda não esclarecidos pela investigação: deseja saber o conteúdo da conversa de Bruno em um vídeo em que aparece com Guilherme e o que as câmeras da Polícia Militar registraram na rua onde os rapazes estavam.rn
Os documentos de Guilherme e Pedro foram encontrados com eles, dentro da bermuda. Já os de Daniel e Bruno estavam no apartamento. Sobre os celulares, Elizabete disse ainda não ter informações.rn
O retrato de Guilherme pela irmã Laísrn
A irmã Laís descreveu o cotidiano do jovem:rn
Guilherme trabalhava em dois empregos, saindo de casa às 7h da manhã e retornando por volta das 16h30. À noite, atuava como motoboy, voltando perto da meia-noite. Em casa, era tranquilo, gostava de assistir Netflix e ficar no quarto com o celular. Sempre ajudava amigos e familiares, estando disponível para qualquer necessidade.rn
Laís lamentou os comentários que associam o irmão ao crime. “Eu vi meu irmão crescer, troquei fralda, dava banho, levava para a escola. Associar ele a algo criminoso me deixa muito triste. O Gui nunca teve passagem pela polícia, era querido em Guaranésia e conhecido pelos policiais locais”, disse.rn
Ela destacou ainda o lado alegre e solidário de Guilherme:rn
Gostava de festas eletrônicas e de viajar de moto. Mantinha um relacionamento amoroso e calmo com a família e amigos. Era simpático, educado e sempre positivo, contagiando todos com sua alegria. Tinha medo até de matar uma barata ou uma aranha, o que, segundo a irmã, revelava seu coração puro e humilde.rn
“Eu queria que a sociedade soubesse que ele era um menino de boa índole, honesto, humilde e brincalhão. Sempre ajudava as pessoas. Não sei por que estão associando ele ao crime”, concluiu Laís.
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