Janeiro Branco: saúde mental e a relação com a obesidade
Especialista explica como o lado emocional pode auxiliar ou piorar o tratamento da doença
Atualmente são 41 milhões de pessoas com obesidade no Brasil, o que corresponde a 26% da população. Segundo dados apontados pelo Atlas Mundial da Obesidade 2022, material publicado pela Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation), a doença deve atingir quase 30% da população adulta brasileira em 2030.rn
Junto aos números alarmantes, existe ainda a preocupação com o preconceito que vem atrelado à obesidade. A gordofobia engloba casos de pessoas excluídas, inferiorizadas, humilhadas ou que sofrem com atitudes que reforçam estereótipos. E todas essas questões influenciam de alguma forma no tratamento. Durante o mês de janeiro, a campanha do Janeiro Branco reforça a importância do cuidado com a saúde mental.rn
“As atitudes gordofóbicas não levam as pessoas a buscarem tratamento para a obesidade. Pelo contrário, afastam as pessoas dos serviços de saúde, já que despertam o medo de serem julgadas até pelos próprios profissionais de saúde”, afirma a psicóloga Andrea Levy, presidente da ONG Obesidade Brasil, a primeira organização sem fins lucrativos do mundo direcionada a pessoas com obesidade.rn
Um caso recente que mostra o despreparo não só dos profissionais, mas dos espaços de saúde como clínicas e hospitais, foi a morte de Vitor Oliveira, 25 anos, que faleceu na porta de um hospital em São Paulo, dentro de uma ambulância, enquanto esperava por maca para pessoas com obesidade. O jovem pesava 190kg e teve atendimento recusado em seis unidades de saúde da cidade.rn
“Infelizmente o caso do Vitor não é um caso isolado. Pessoas com obesidade grave não encontram serviços de saúde adequados para atendê-los nem sob o ponto de vista de estrutura, como cadeiras e macas, nem muitas vezes sob o ponto de vista de profissionais preparados para receber essas pessoas”, diz Andrea.rn
A psicóloga explica também que a gordofobia ainda pode fazer com que muitos tenham vergonha de procurar um esporte ou uma academia por medo de serem ridicularizados e de ouvirem piadinhas. O que pode fazer com que eles se afastem do convívio social e até mesmo de atividades como ir à praia ou à piscina.rn
Além das atividades pessoais, o lado profissional também acaba comprometido já que o preconceito se estende para o momento da contratação nas empresas. Recrutadores utilizam justificativas sem sentido para recusar o candidato com obesidade e ainda existem concursos públicos que exigem o padrão IMC (Índice de Massa Corpórea) nos anúncios. Na Justiça do Trabalho, são 419 processos com a expressão “gordofobia”, desde 2014 até meados de 2022.rn
Todas essas situações dificultam o tratamento da obesidade e reforçam a importância de um acompanhamento psicológico para que os resultados sejam obtidos da melhor forma. Há também a questão de outros problemas de saúde como ansiedade, transtornos alimentares, depressão, entre outros que podem refletir no consumo excessivo de alimentos não saudáveis, o que acaba agravando a obesidade.rn
“A obesidade é uma doença crônica e multifatorial e está estreitamente ligada às questões de saúde mental. Sabemos que quanto mais grave é a obesidade, maior é a chance da pessoa ter, concomitantemente um quadro de transtorno do humor, como a depressão, ansiedade, transtornos de personalidade que podem ser desencadeados ou agravados pelo comprometimento da qualidade de vida que a própria obesidade gera. Por isso, quanto mais precocemente for iniciado o tratamento, melhor será o prognóstico”, conclui Andrea.rn
rn
Sobre a ONG Obesidade Brasil rn
O Instituto Obesidade Brasil é a primeira organização sem fins lucrativos do mundo direcionada a pessoas com obesidade e surge com o objetivo de conscientizar e trazer informações claras e objetivas, sempre com mentoria científica, com linguagem acessível sobre obesidade, prevenção, diagnóstico, tratamento, novas tecnologias e direcionamento aos centros públicos e gratuitos de atendimento, ajudando da melhor forma possível.rn
A ONG foi fundada em fevereiro de 2020 para conscientizar pessoas de que a obesidade é uma doença multifatorial e crônica e conta com um Conselho Científico composto por especialistas colaboradores de todo o território brasileiro, de perfil multidisciplinar, que adota o conceito de saúde universal e trabalha para que todos tenham acesso à ajuda médica especializada.rn
rn
Coordenadores da ONG Obesidade Brasilrn
Psicóloga Andrea Levyrn
Presidente e cofundadora da ONG Obesidade Brasil;rn
Psicóloga Clínica e bariátrica, especialista em Obesidade e Transtornos Alimentares pelo HC-FMUSP;rn
Mais de 20 anos de atuação em clínica de Obesidade e Cirurgia Bariátrica;rn
Autora do livro "Cirurgia Bariátrica: manual de instruções para pacientes e familiares".rn
rn
Nutróloga Andrea Pereirarn
MD, PhDrn
Médica Nutróloga do Departamento de Oncologia e Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein;rn
Cofundadora e coordenadora da ONG Obesidade Brasil;rn
Doutorado pela Endocrinologia da UNIFESP em Obesidade e Cirurgia Bariátrica;rn
Pós-doutorado pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa;rn
Pós-doutorado em andamento pela Medicina Esportiva da FMUSP sobre obesidade, câncer de mama e exercício;rn
Autora do livro “Dieta do Equilíbrio: a melhor dieta anticâncer”.rn
rn
Cirurgião Bariátrico Carlos Schiavonrn
Médico Especialista em Cirurgia Bariátrica e Metabólica;rn
Formado em 1987 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;rn
Doutor Cirurgião pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – São Paulo, SP;rn
Especialista em Cirurgia Bariátrica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;rn
Coordenador de Ensino e Pesquisa do Núcleo de Obesidade e Cirurgia Bariátrica da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo;rn
Investigador principal do Trial GATEWAY – Gastric Bypass to Treat Obese Patients With Steady Hypertension.
Qual sua reação?
Gostei
0
Não Gostei
0
Amei
0
Engraçado
0
Raiva
0
Triste
0
Uau
0