Halloween é prejudicial?

Nov 1, 2019 - 13:37
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Halloween é prejudicial?
Halloween é prejudicial?

Será o Halloween de fato uma comemoração prejudicial às crianças?rn

O Halloween foi se configurando num contexto histórico de muita dor... A dor da saudade. Saudade daqueles familiares e bons amigos que já haviam morrido. No ritual dos povos antigos, acreditava-se poder se comunicar com os espíritos dos antepassados. E entre tais espíritos, outros espíritos intrusos poderiam até aparecer e assustar.rn

O dia das bruxas foi ganhando cada vez mais elementos supersticiosos. Superstição pode simfazer mal. O fundamento da superstição é o medo, donde desabrochou a mentalidade mágica, alienada, ilusória. Ilusão também pode fazer mal. Ilusão é uma percepção que não corresponde à realidade. Analisando “friamente” é assim. Apesar disso, podemos ampliar ainda mais a nossa compreensão.rn

Falando em medo, aquele “medinho” de monstros e fantasmas cultivado no dia das bruxas revela um dado antropológico e psicanalítico: o medo que o ser humano tem da morte. Por outro lado, quando se dá risada de tudo isso, é como se as pessoas dissessem que no fundo não tem medo nenhum da morte, nem dos monstros e fantasmas, afinal, creem que a alma é eterna, a vida continua noutra dimensão, e os monstros e fantasmas não existem. Por isso mesmo que dão risada de tudo isso, exercendo meras brincadeiras.rn

Outro fato: Muitas pessoas de alguma maneira ameaçadas, zombadas, rejeitadas pela família, pela escola, pela religião ou pela sociedade, acabam criando uma espécie de realidade paralela, onde então acreditam ter superpoderes pra se defender dos opressores. E os superpoderes seriam poções, feitiços, aparências intimidadoras.rn

Ao longo dos anos, o Halloween foi ganhando uma conotação mais bem humorada, os “monstros” e os “fantasmas” foram ficando mais amigáveis, até bonzinhos. No entanto, enquanto alguns símbolos permaneceram, outros foram acrescentados: símbolos das trevas, do mal, da morte, do oculto, do medo. Eis o cuidado que se deve tomar quando o assunto é criança. Pra que expor crianças aos símbolos das trevas, do mal, da morte, do oculto e do medo? Pra quê? Chega a ser patético o argumento que diz “Ah, fazemos isso como valorização da cultura.” Cultura? Precisa mesmo ser assim tão valorizada uma cultura que enaltece o feio, o medo, o horror, o rasgo, o sangue, o acidente, a morte?Será isso cultura ou inconsciência?rn

Pra quê expor crianças a uma coisa tão boba e depreciativa dessas? Fantasiar crianças de caveira, demônios, vampiros, bruxas, zumbis, com machucados e sangue escorrendo! Pra quê? Será que existe só isso pra se fazer? Trata-se de muito mal gosto, falta de criatividade, falta de identidade e até muita falta de tomada de consciência.rn

Mas... muitos pais e professores não acham nada de mais, e do mesmo modo que fazem isso com suas crianças no Halloween, também fantasiam os pequeninos com roupinhas vulgares totalmente inadequadas à infância na época do carnaval. Na maioria das vezes, tais festas – dia das bruxas e carnaval – acabam sendo uma manifestação de certa rebeldia, de afronta àquilo que é ético e moral. É como se muitos adultos estivessem de “saco cheio” daquilo que é lúcido, santoe saudável, manifestando então seusdesconfortos e descontentamentos de revolta nessas festividades. “Vamos escancarar mesmo! Vamos debochar sim! Vamos ser indiscretos agora!” – como se gritassem em uníssono.rn

Se Halloween e carnaval prejudicam a família ou as crianças do ponto de vista espiritual eu não sou especialista pra falar. Aqui a pessoa precisaria ouvir a opinião de sacerdotes, padres, pastores, exorcistas. Para o Reverendo Caio Fabio, que até chegou a morar nos Estados Unidos, Halloween não passa de brincadeira de fantasias em troca de balinhas. Não há nada de espiritual nisso. Caio afirma que a maldade está nas “balinhas da hipocrisia” de alguns sacerdotes, padres e pastores, muitos deles mentindo, abusando, roubando, traindo, distorcendo o Evangelho. Diz ele que as coisas verdadeiramente ruins não vem com as máscaras, e sim com as más intenções da mente e do coração. Já paraoutros especialistas, com outra mentalidade, dentre eles os padres Gabriele Amorth, RufusPereira e Duarte Lara,chegam a afirmar ser o Halloween muito prejudicial à saúde espiritual e, por isso, as crianças devem ser sempre afastadas e sempre protegidas.rn

No caso do cristianismo, em oposição ao Halloween, a Igreja vem propondo a comemoração do dia da Bíblia, do dia de todos os santos também. Na celebração denominada Hollywin, que significa “a santidade vence”, as crianças católicas são fantasiadas com as roupinhas características dos santos, como São Francisco e Santa Clara de Assis, Santa Maria e São José, Santo Antônio, Santa Rita de Cássia, Santa Bernadette e por aí vai. Os santos, após a conversão, tornaram-se modelos de boa conduta.rn

E mesmo que posteriormente os sacerdotes afirmem que de fato não se deve expor crianças a tais festividades “macabras” como Halloween e carnaval, podemos inicialmente agir simplesmente com bom senso e bom gosto, fantasiando a criança, por exemplo, com a roupinha de um personagem de desenho que de fato respeite a infância, que valorize a vida, ou até colocando fantasia de um profissional como médico, dentista, motorista, professor, padeiro, pintor, pedreiro, agricultor, músico, poeta, jardineiro, engenheiro, escritor, cozinheiro, repórter, aviador, astronauta etc., ou com a roupinha que se pareça com o papai, com a mamãe, com o vovô, com a vovó, numa espécie de homenagem. Enfim, nada que escandalize, nada que amedronte nem vulgarize a criança.rn

Tem mais... Quem foi que disse ser obrigado a fantasiar crianças? Tem família e criança que não gosta ou que não precisa de fantasia nenhuma pra se relacionar, sorrir e ser feliz! Fantasiar não é obrigação! Existe sempre outra opção: brincar, caminhar, passear, descansar, ouvir música, cantar, ler livros, assistir a bons filmes, tomar sorvete, fazer comida juntos... São muitas as possiblidades de diversificação afetiva na convivência em família.rn

Se podemos celebrar a alegria da vida, por que fantasiar crianças com símbolos do terror e da morte?rn

Se existe sempre a opção pelo melhor, por que fazer opções pelo pior?

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