Desafio: tenho mesmo esse poder?
Meu primeiro grande desafio profissional e pessoal aconteceu quando tinha meus 20 e poucos anos. Acho que era 1995/1996, se não me engano. Já trabalhava na empresa da família, ajudava aqui, aprendia algo ali, me dedicava o tempo todo. Estava no primeiro ano de Direito em uma cidade distante a 80 quilômetros daqui.rn
Era final do ano. Depois do Natal, minha mãe Marizete começou a ter fortes dores de cabeça que duraram uns 3 dias. Ela já tinha um histórico de aneurisma, que na época, em 1979, não foi preciso operar.rn
Meu pai Eloadir levou minha mãe para atendimento neurológico em Mococa-SP. Durante um exame de eletro, foi constatado vários focos de aneurisma pela cabeça. Eles retornaram para Guaxupé e aguardaram até no outro dia para que ela fosse removida até Ribeirão Preto.rn
Até aí é uma situação que qualquer pessoa pode passar e em qualquer época também.rn
Mas foi no outro dia, quando meu pai teve que se ausentar da empresa e da família, somos em 5 irmãos, eu sou a segunda, que me vi em uma situação apavorante.rn
Quando a ambulância chegou para levar minha mãe e meu pai, ele simplesmente me olhou nos olhos e falou: - filhinha, cuida de tudo aí! Nem prolongou muito ou detalhou esse ‘cuida de tudo’ e logo me veio na cabeça: quem vai cuidar de mim?rn
Naquele momento eu tinha duas opções. Sentar e chorar, levantar e seguir.rn
Olhei meus irmãos mais novos que eu, todos apavorados sem saber se nossa mãe resistiria a pelo menos a viagem. Como eu me entregaria à situação e deixaria a competência que meu pai me confiou assim, tão fácil?rn
Fui para casa, a empregada esperava para saber o que fazer de almoço. Meu Deus! Eu no auge da juventude, tendo que cuidar de uma casa com 4 pessoas. O telefone tocava a todo instante com pessoas querendo saber notícias.rn
Na empresa a coisa foi mais preocupante. Meu pai não havia deixado folha de cheque assinada ou qualquer outro documento para continuarmos a rotina administrativa. Na ausência dele, quem tomaria frente às decisões? Eu?!?rn
Fim de ano, quase 10 funcionários esperando o 13º salário. O funcionário mais velho que eu e mais experiente, não sabia o que fazer e nem cogitou alternativas. Não pensei duas vezes fiz empréstimo bancário no meu nome e usei um pouco do limite do cheque especial. Todo mundo recebeu. Depois daria jeito para cobrir essa eventualidade, o que aconteceu facilmente.rn
No mais, cada um sabia executar bem suas funções e foi uma forma de me amadurecer profissionalmente e me dedicar ainda mais no aprendizado, lembrando que a empresa praticamente eram duas: gráfica e jornal. Nessa época eu ficava mais na parte administrativa/financeira mas precisei acompanhar todo o processo dos trabalhos para garantir que tudo se manteria como precisava de ser. rn
Penso que em situações assim precisamos deixar o emocional de lado e manter a postura profissional. Foi a primeira vez em muitos anos que meu pai precisou se ausentar e eu ali, sua garotinha que sempre o acompanhava desde criança por onde ia, tive a chance de demonstrar que estava preparada para a batalha.rn
Essa foi uma das primeiras situações que passei e agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de conversar com meu pai sobre o impacto que me causou, confirmando minha postura de dedicação à empresa e à família. Desde aquele momento muita coisa mudou no meu modo de pensar e agir.rn
Para finalizar, minha mãe fez uma cirurgia muito delicada para retirar um dos coágulos. No outro ano, uma segunda cirurgia. Todas foram bem sucedidas, com pouca sequela. Meu pai ficou por mais um mês em Ribeirão Preto com ela. Praticamente estava morando no hospital.rn
A empresa se manteve normal em suas atividades até o retorno do meu pai. Também depois desse susto fizemos uma procuração pública onde tive mais autonomia na empresa.rn
No ano seguinte, interrompi meu curso de Direito. Com a recuperação da minha mãe, precisei assumir algumas atividades da casa. Não fiquei lamentando ou arrependida. O mais importante ali naquele momento era a vida dela e o bem estar da família.rn
Acredito que toda pessoa vá passar por algo do tipo, seja no plano pessoal ou profissional. Uma hora você vai ter que mostrar e assumir sua postura e é essencial que sua base seja fortalecida e não se esmoreça.rn
Mais história vem por aí... aguardem!
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