Conferência discutiu impactos da tecnologia na mente das crianças e dos adolescentes
A Primeira Vara Cível e da Infância e Juventude da Comarca de Guaxupé, em parceria com o Comissariado de Menores, promoveu na última quarta-feira, 20 de agosto, a partir das 8h30, a 13ª Conferência da Infância e Juventude. O evento ocorreu no salão do Tribunal do Júri do fórum local e contou com palestrantes renomados na área, além das entidades parceiras: Conselhos Tutelares, CRAS, CREAS, CMC e a Assistência Social do município de Guaxupé. O tema desta edição foi “A Tecnologia e a Recompensa no Cérebro e o Sistema de Assistência Social em Rede”.rn
Participaram do evento o presidente da 57ª Subseção da OAB, Dr. Maylon Furtado Passos; a vice-prefeita de Betim, Cleusa Lara; o presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares do Estado de Minas Gerais, Edson Silva Batista; e delegações das cidades de Arceburgo, Bandeira do Sul, Betim, Botelhos, Campestre, Guaxupé, Mococa, Monte Belo, Poço Fundo, Poços de Caldas, Santana da Vargem, São Pedro da União, entre outras.rn
Aberturarn
A solenidade foi aberta pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Dr. Milton Biagione Furquim, que enalteceu o trabalho voluntário desenvolvido pelo coordenador do Comissariado de Menores, Luiz Antônio Ferreira, organizador do evento.rn
Segundo o magistrado, a Comarca de Guaxupé é uma das poucas em Minas Gerais que conta com um Comissariado de Menores, considerado “um braço do juiz” na atuação junto às crianças e adolescentes. Ele incentivou os presentes a promoverem a implantação de comissariados em suas respectivas comarcas, colocando-se à disposição para colaborar com orientações.rn
Dr. Milton explicou de forma clara a diferença entre a atuação dos Conselhos Tutelares e do Comissariado de Menores. Ressaltou ainda que os juízes devem ser mais acessíveis, atendendo principalmente as pessoas mais humildes de forma humanizada, independentemente do local.rn
Vice-prefeitarn
Representando a administração municipal, a vice-prefeita de Guaxupé, Renata Rocha, destacou a importância do evento para a orientação e esclarecimento de dúvidas, especialmente dos conselheiros tutelares. Justificou a ausência do prefeito Jarbinhas, que estava em viagem a Brasília.rn
Pastor Marcos Antônio do Nascimentorn
O pastor evangélico Marcos Antônio do Nascimento realizou uma oração, pedindo auxílio espiritual na condução dos trabalhos, com o objetivo de construir uma sociedade melhor.rn
Psicóloga Ívina Reis Magalhãesrn
A primeira palestrante do dia foi a psicóloga Ívina Reis Magalhães, analista de Educação Básica do Núcleo de Acolhimento Educacional da SRE de São Sebastião do Paraíso. Ela destacou a iniciativa do governo de Minas Gerais de nomear assistentes sociais e psicólogos para atuarem nas escolas, promovendo melhorias no ambiente escolar e na convivência entre alunos, professores e direção, com acolhimento humanizado para estudantes com transtornos mentais.rn
Abordou também os impactos do uso excessivo de telas no comportamento de crianças e adolescentes, prejudicando a aprendizagem. Segundo Ívina, o avanço tecnológico trouxe benefícios, mas também problemas, como o uso indiscriminado de celulares, que afeta a saúde mental. As redes sociais, segundo ela, causam uma verdadeira epidemia de ansiedade e isolamento social.rn
Alertou sobre o futuro dos jovens alienados pelas redes sociais e celulares, e os reflexos na profissionalização. Finalizou elogiando a lei que proíbe o uso de celulares nas escolas, considerada um avanço respeitado pela maioria dos alunos.rn
Dr. Flávio Umberto Shimidtrn
O juiz titular da Comarca de Muzambinho, Dr. Flávio Umberto Shimidt, ressaltou a importância de fortalecer os núcleos familiares e limitar o acesso das crianças às redes sociais. Segundo ele, o uso excessivo da tecnologia causa impactos emocionais, como depressão e isolamento, além de prejudicar o desenvolvimento infantil.rn
Defendeu que os pais devem estabelecer limites e dialogar abertamente com os filhos sobre os riscos das redes sociais. Encerrou sua fala abordando os aspectos jurídicos da proteção dos menores, com destaque para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).rn
Bianka Herculanorn
Representando a Secretaria de Desenvolvimento Social de Guaxupé, Bianka Herculano falou sobre o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), política pública voltada para pessoas em situação de vulnerabilidade. Explicou que a assistência é garantida por lei, mesmo para quem não contribuiu com a Previdência Social, como idosos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).rn
Destacou que o SUAS é financiado por recursos da União, estados e municípios, e que em Guaxupé há iniciativas como os restaurantes populares, que oferecem café da manhã a R$ 0,50 e almoço a R$ 2,00, acessíveis a toda a população. Mencionou também a importância das entidades parceiras conveniadas, como Luz da Vida, Casa da Criança, APAE, Nova Betânia, entre outras.rn
Professor José Dimasrn
O professor José Dimas abordou os desafios do ensino médio no Brasil, destacando que apenas um em cada seis alunos conclui o curso. Criticou a justificativa de transferências para outras instituições como forma de mascarar a evasão escolar.rn
Lembrou que, no passado, havia maior interesse pela profissionalização, como na antiga Escola Profissional Nossa Senhora Aparecida. Hoje, segundo ele, prevalece a “lei do menor esforço”, o que tem contribuído para a escassez de profissionais como pedreiros, carpinteiros e serralheiros.rn
Criticou também o consumo de alimentos ultraprocessados, que afetam a saúde e os estímulos sensoriais, em contraste com os alimentos naturais.rn
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